O medo está no coração de todos os seres vivos, seja em um leão,
cachorro e principalmente no ser humano. Considero o medo uma piada sem
graça da vida, pois enquanto ela nos convida a beber de sua fonte, de
trazer bons e inesquecíveis momentos, ela também nos trás às duvidas
sobre esses momentos. E pior, nos faz escolher o amargo suco do medo a
beber da fonte da vida.
Soube de um jovem solitário que vivia em
uma terra distante além e um pouco mais além da floresta. Ele vivia em
seu mundo acreditando realmente que tudo o que precisava estava na
distancia do suor de seu rosto, de seu trabalho. Ele vivia satisfeito,
fazia suas negociações com comerciantes que raramente passavam pela sua
terra e assim seguia dia após dia, estação após estação.
Um dia
ele conheceu uma jovem moça que fazia parte de uma caravana de ciganos.
Pelo fato de viver entre os bichos, e quase que nunca conhecer
sentimentos reais de um ser humano, o jovem não soube dizer o que sentiu,
pois tomou-lhe um calor em seu rosto e um frio na barriga; um desejo de
se esconder dessa linda moça, mas também um explosão dentro de si
incitando-o a se aproximar e conhece à jovem de lindos cachos castanhos e
de um rosto tão suave que traria alento aos mais tumultuados corações…
Mas
o medo da aproximação, o medo da rejeição trouxe algo novo nele, o egoísmo de se arriscar, uma auto preservação o fez dar o primeiro passo
para trás, o passo mais difícil e pesado da sua vida, pois no fundo ele
sabia que aquela era um adeus a uma das maiores alegrias que já havia
sentido na vida. Sem perceber o segundo passo foi quase sem dor ou pesar e o
terceiro o medo já havia corrompido o coração daquele jovem e somente
ele importava naquele momento…
O Ka (destino) reservara um belo destino para os dois, pois a moça quando o viu também se apaixonou pelo rapaz, porém o duro coração do homem, cheio de medos e duvidas o afastou de um possível e fabuloso destino.
Raphael Ferro